Que calcanhar mais mal-cuidado! Amarelado!!!Li na Veja desta semana o depoimento de uma mãe cuja filha, de 9 anos, vai semanalmente ao salão de beleza fazer unhas (pés e mãos) e cabelo (escova normal e progressiva). A menina segue um ritual diário que inclui cremes para cada pedacinho do corpo, além de filtro solar (para não manchar a pele), salto alto (para se adaptar desde cedo) e mil e uma outras frescuras. Acorda às 6h para tomar banho e escovar o cabelo antes de ir para a escola. A mãe diz que prefere a filha exageradamente vaidosa do que uma filha "descuidada", e arremata afirmando que mulher tem mesmo que ser feminina (para ela, feminilidade é sinônimo de futilidade, pelo visto).
Outra criança, também aos 9 anos, além de fazer tudo o que a outra faz (rotina de salão de beleza e cremes), ainda se interna vez por outra em um spa para fazer regime, porque "não se habitua a comer frutas e verduras em casa", como revela a mãe. Claro que a menina não tem nada de gorda, nada de sobrepeso. Ah, ela já faz drenagem linfática para prevenir celulite também.
Uma terceira cobaia-de-mãe que aparece na reportagem já tem 18 anos e foi presenteada pela mãe, no aniversário, com uma aplicação de botox. Isso porque, quando sorria, aparecia (diz ela) uns "risquinhos" na testa. Reclamava dos críticos, argumentando que cada um deve fazer o melhor pela sua auto-estima, e que ela não suportava os risquinhos na testa - muito menos a ideia de envelhecimento que os tais riscos lhe davam. Aos 18 anos.
Pois é.
De vez em quando vou ao salão fazer as unhas. Não tenho regularidade. Uso hidratante quando me dá na telha, mas mesmo assim, o mesmo que uso no rosto é o que uso nos braços, nas pernas, nos pés, no corpo todo. Gosto mesmo de ter a pele hidratada, gosto de sentí-la macia. Uma amiga minha me deu um curso de maquiagem de presente, ao que recusei, alegando que já tinha aprendido (e faz tempo) a colocar batom, e isso é suficiente. Só entrei em spa na vida para fazer reportagem, e mesmo assim, sem direito a "test-drive". Penso em fazer uma cirurgia plástica (agora não é mais chamada de plástica, e sim "estética") da cabeça aos pés, desde que seja feita por Pitanguy e de graça, ainda por cima. Posso até ter roupa de marca no meu guarda-roupa, mas sinceramente ignoro (igual a churrasquinho de gato: suspeito que já comi; mas se comi, foi enganada). Salto alto, raramente. Fiz escova progressiva duas vezes, e gostei deveras (com a escova progressiva, posso até me dar ao luxo de esquecer de escovar o cabelo antes de sair de casa).
Sou, enfim, uma anti-feminina, no conceito atual das mães-de-cobaia. Sempre fui do tipo que dispensava o embrulho do presente.
No entanto, confesso: com meu modelo, está difícil sobreviver em São Paulo. Tenho cedido em algumas coisas. Mesmo assim, muitas vezes sinto-me um ET.
Melhor é voltar pra Varginha. Senão, termino aplicando botox.




